Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após mortes e reações graves
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de reações adversas graves entre mais de 500 mil doses aplicadas. Dois pacientes morreram — uma mulher de 48 anos com meningoencefalite e um homem de 58 anos com choque refratário — e três pessoas foram hospitalizadas. A vacina Qdenga, da Takeda, segue disponível normalmente no Sistema Único de Saúde.

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8 de junho de 2026) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre Padilha após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de reações adversas graves entre os vacinados. Três pessoas foram hospitalizadas e duas morreram. A suspensão é preventiva e tem caráter temporário enquanto um comitê de especialistas investiga os casos.
O que o sistema de farmacovigilância identificou
De um total de mais de 500 mil doses da vacina Butantan aplicadas, 3.703 pessoas — o equivalente a 0,7% dos vacinados — relataram sintomas semelhantes aos da própria dengue após a imunização. Desse grupo, 42 pacientes apresentaram os chamados sinais de alarme: dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Esses casos motivaram a abertura de investigação formal e, posteriormente, a decisão pela suspensão temporária da campanha.
As duas mortes investigadas
Duas mortes foram associadas temporalmente à vacinação e estão sob investigação. A primeira vítima é uma mulher de 48 anos que desenvolveu meningoencefalite — inflamação grave do cérebro e das meninges — e faleceu 19 dias após receber a dose. O segundo caso é o de um homem de 58 anos que morreu em decorrência de choque refratário cinco dias após a vacinação. As autoridades de saúde ressaltam que a relação causal entre as mortes e a vacina ainda está sendo apurada pelo comitê técnico.
Qdenga segue disponível no SUS
A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde se aplica exclusivamente à vacina do Instituto Butantan. A Qdenga, imunizante contra a dengue desenvolvido pelo laboratório Takeda, continua sendo administrada normalmente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. O ministro Alexandre Padilha reforçou que a população que tem acesso à Qdenga deve manter o calendário de vacinação.
Próximos passos: comitê e acompanhamento especial
O Ministério da Saúde constituirá um comitê de especialistas para investigar os casos de reações adversas graves e identificar possíveis fatores de risco associados ao imunizante do Butantan. Paralelamente, todas as pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias serão submetidas a acompanhamento especial pelas equipes de saúde. A pasta orienta que qualquer vacinado que apresente sintomas de alarme — como dor abdominal, vômitos repetidos ou sangramentos — procure imediatamente uma unidade de saúde.
Eficácia da vacina não está invalidada
O Ministério da Saúde fez questão de destacar que a suspensão temporária não invalida a eficácia comprovada do imunizante. Estudos clínicos demonstraram eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves de dengue. A vacina do Butantan foi incorporada ao SUS em janeiro de 2026 e, desde então, mais de 500 mil doses foram aplicadas na população brasileira. A decisão de suspender a campanha é de natureza precaucional, seguindo os protocolos internacionais de segurança em farmacovigilância.
Nota do Instituto Butantan
O Instituto Butantan emitiu nota afirmando que continuará trabalhando de forma rigorosa para aprofundar as informações sobre os casos notificados. A instituição declarou apoio às investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde e pelo comitê de especialistas, reiterando seu compromisso com a transparência e com a segurança dos vacinados.
A suspensão temporária da vacina do Butantan representa uma medida de precaução adotada dentro dos padrões esperados de monitoramento pós-vacinação. As autoridades de saúde reforçam que o sistema de farmacovigilância funcionou como previsto ao detectar os sinais de alerta, e que a população será informada sobre os resultados da investigação assim que o comitê de especialistas concluir sua análise.
