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Presidente de Cuba mostra-se soberano perante pressão dos EUA e ameaças de bloqueio energético

Miguel Díaz-Canel reafirmou a resistência do país durante o aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução, numa altura em que a ilha enfrenta apagões sistemáticos e uma crise de combustível sem precedentes devido às sanções de Washington.

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Presidente de Cuba mostra-se soberano perante pressão dos EUA e ameaças de bloqueio energético

Miguel Díaz-Canel reafirmou a resistência do país durante o aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução, numa altura em que a ilha enfrenta apagões sistemáticos e uma crise de combustível sem precedentes devido às sanções de Washington.

Havana – O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, proferiu um discurso incisivo esta quinta-feira, marcando o aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução Cubana. Num momento de tensão máxima com os Estados Unidos, Díaz-Canel garantiu que o governo não cederá às pressões externas nem às ameaças de um "bloqueio energético total" que visa paralisar a economia da ilha.

O "estrangulamento" energético

A crise atual é alimentada por um bloqueio severo imposto pela administração de Donald Trump, que se intensificou após a intervenção dos EUA na Venezuela no início deste ano. Com a queda do aliado estratégico Nicolás Maduro, o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba foi interrompido, deixando a ilha numa situação crítica.

  • Apagões: Algumas regiões chegaram a enfrentar 16 horas consecutivas sem eletricidade.
  • Medidas de Emergência: O governo reduziu a semana de trabalho para quatro dias e transferiu funcionários estatais para o regime de teletrabalho para poupar energia.
  • Saúde e Educação: Cirurgias não urgentes foram suspensas e vários estabelecimentos de ensino foram encerrados temporariamente.

A pressão de Washington pela renúncia

Para além das sanções económicas, a Casa Branca tem apelado abertamente à demissão de Díaz-Canel. Recentemente, como um gesto diplomático em meio a conversações tensas, Cuba libertou mais de 2.000 prisioneiros, mas o governo cubano insiste que a sua soberania não é negociável.

O Presidente Trump ameaçou sancionar qualquer país que tente exportar petróleo para Cuba. No entanto, a Rússia já enviou dois carregamentos de crude este mês, numa tentativa de aliviar o colapso do sistema energético cubano. O México, por sua vez, embora tenha interrompido temporariamente os envios sob pressão comercial dos EUA, enviou ajuda humanitária.

"Não vamos renunciar"

Josefina Vidal, Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros, reforçou em entrevista à Al Jazeera que Cuba está disposta ao diálogo, mas rejeita o que classifica como uma "política de abuso".

"O objetivo dos Estados Unidos é provocar um colapso social através da fome e da escuridão, mas a resposta do povo cubano será a resistência", afirmou Díaz-Canel durante a cerimónia em Havana.

A situação em Cuba permanece volátil, com a economia à beira do colapso estrutural, enquanto a comunidade internacional observa com preocupação o potencial de uma nova crise humanitária nas Caraíbas.

Ativistas Brasileiros e vários países tem se organizado para fornecer algum tipo de ajuda. Há uma semana o governo Russo enviou um petroleiro após negociação com Washington.

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