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Lula confronta potências no G7 e exige nova ordem econômica em defesa do Sul Global

Na cúpula do G7 2026, presidente brasileiro desafia países ricos e coloca soberania, fome e clima no centro do debate global.

Por Paulo Jesus
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Lula confronta potências no G7 e exige nova ordem econômica em defesa do Sul Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à cúpula do G7 2026, realizada em Florença, na Itália, com um discurso que surpreendeu pela contundência e pela disposição de confrontar diretamente as potências econômicas do hemisfério norte. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, guerras comerciais e a crise climática em aceleração, o líder brasileiro recusou o papel de coadjuvante e se posicionou como porta-voz de uma agenda que coloca os países em desenvolvimento no centro das negociações globais.

Logo na abertura do encontro, Lula tomou a palavra para criticar a estrutura desigual das instituições financeiras internacionais e a lentidão dos países ricos em cumprir compromissos assumidos em fóruns anteriores. O presidente brasileiro lembrou que o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial continuam operando sob regras concebidas no pós-Segunda Guerra, quando o mundo era radicalmente diferente, e que essa arquitetura obsoleta perpetua a dependência econômica do Sul Global.

"Não viemos ao G7 para pedir favor. Viemos para exigir respeito. O Brasil representa mais de 200 milhões de pessoas que querem trabalho, comida na mesa e um planeta habitável para seus filhos. Isso não é pauta ideológica — é sobrevivência", declarou Lula em seu discurso de abertura, arrancando aplausos da delegação africana e de representantes de países convidados.

Um dos pontos de maior tensão foi a discussão sobre a transição energética. Lula defendeu que os países ricos, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões de carbono acumuladas na atmosfera, têm obrigação de financiar a descarbonização das economias emergentes sem impor condicionalidades que comprometam o desenvolvimento soberano. O presidente brasileiro criticou o que chamou de "protecionismo verde" — a tendência de nações europeias de criar barreiras comerciais sob o pretexto de critérios ambientais, enquanto continuam subsidiando suas próprias indústrias poluentes.

Na sessão dedicada à segurança alimentar, Lula apresentou dados do programa Fome Zero e do Bolsa Família como modelos replicáveis, e cobrou dos líderes do G7 um compromisso concreto de financiamento para o Fundo Global contra a Fome, proposta que o Brasil lidera desde sua presidência do G20 em 2024. O presidente argumentou que a fome não é uma fatalidade, mas uma escolha política, e que os recursos existem — o que falta é vontade dos que detêm o poder econômico.

"Enquanto o mundo gasta trilhões em guerras, 800 milhões de pessoas vão dormir com fome toda noite. Isso é uma vergonha civilizatória. E eu não vou me calar diante disso enquanto tiver voz e mandato para falar", afirmou o presidente em sessão fechada, cujo conteúdo foi posteriormente confirmado por fontes da delegação brasileira.

A postura assertiva de Lula foi recebida com reações mistas entre os líderes presentes. Fontes diplomáticas relataram que o chanceler alemão e o primeiro-ministro britânico demonstraram desconforto com o tom direto do brasileiro, enquanto o presidente francês buscou aproximação nos bastidores, sinalizando interesse em aprofundar a parceria estratégica com Brasília no campo das energias renováveis. Já os representantes do Japão e do Canadá optaram pelo silêncio durante os debates mais acalorados.

Ao encerrar sua participação na cúpula, Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a integração sul-americana e com a construção de uma nova governança global, mais plural e menos dependente das decisões tomadas em Washington e Bruxelas. Para analistas ouvidos pela reportagem, a atuação do presidente brasileiro no G7 2026 consolida o papel do Brasil como liderança incontornável do Sul Global e sinaliza uma política externa cada vez mais autônoma e propositiva para os próximos anos.

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