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Dark Horse: Master ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro e abre espaço para Michelle

Áudios revelam que Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse. Mário Frias e Eduardo Bolsonaro deram versões contraditórias. O escândalo abala a pré-candidatura presidencial e coloca Michelle Bolsonaro como única alternativa viável no PL.

Por Da Redação
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Dark Horse: Master ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro e abre espaço para Michelle

Em 13 de maio de 2026, o site The Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal. O material revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com o banqueiro — preso por envolvimento em esquema de fraudes bilionárias — o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O valor pedido: R$ 134 milhões. O valor efetivamente pago por Vorcaro: R$ 61 milhões (cerca de US$ 10,6 milhões).

As versões de Flávio Bolsonaro

Flávio passou por uma série de contradições. Primeiro negou qualquer contato com Vorcaro. Depois, acuado pelos áudios irrefutáveis, admitiu a negociação, mas classificou como ‘captação privada legítima’. Em mensagem de 8 de setembro de 2025, Flávio dizia a Vorcaro: ‘Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso.’ Em outro áudio, alertava sobre o risco de ‘dar calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, diretor], os caras, renomadíssimos lá no cinema americano.’ Após a repercussão, Flávio deu entrevista à GloboNews negando que o valor pedido tenha sido de R$ 134 milhões.

Mário Frias: recuo e nova versão

Mário Frias, deputado federal (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, primeiro negou qualquer envolvimento de dinheiro do Banco Master na produção. Depois recuou e admitiu que recursos de empresa ligada ao Master chegaram ao projeto, mas alegou ‘diferença de interpretação’. Afirmou que ‘Daniel Vorcaro não aparece formalmente como investidor do longa’. Também disse que ‘tentar imputar qualquer tipo de crime à aquisição de patrocínio privado em 2024 é apenas mais uma narrativa tosca que nasceu dentro da própria direita que tenta sabotar a candidatura do Flávio’.

Eduardo Bolsonaro: o contrato negado e depois confirmado

Em 15 de maio, o Intercept revelou que Eduardo Bolsonaro (PL-SP, deputado cassado, residente nos EUA) assinou contrato como produtor-executivo do filme, com responsabilidades sobre a gestão financeira. Frias negou: ‘Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo.’ Eduardo, porém, publicou vídeo confirmando que assinou o contrato, mas com justificativa: usou R$ 350 mil do projeto Ação Conservadora para garantir um diretor de Hollywood quando o filme ainda era um sonho. ‘Com o dinheiro da Ação Conservadora, eu peguei R$ 350 mil e transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos. Para garantir o contrato com um diretor de Hollywood’, disse. Afirmou ter recebido o dinheiro de volta após investidores entrarem no projeto. A PF investiga se recursos do fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado pelo advogado de Eduardo, Paulo Calixto, foram usados para custear a permanência de Eduardo nos EUA.

O fundo Havengate e a teia financeira

Os recursos de Vorcaro teriam sido transferidos via Entre Investimentos e Participações, holding de Antonio Freixo Junior (‘Mineiro’), para o fundo Havengate Development Fund LP, no Texas. A operacionalização ficou a cargo de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e seu principal operador financeiro. A PF apura se o filme serviu como fachada para desvios.

Impacto eleitoral

O escândalo impulsionou nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema nas pesquisas, mas não beneficiou diretamente Lula. Aliados de Flávio admitem nos bastidores que o episódio pode atingir a campanha presidencial. Ciro Nogueira (PP-PI), cotado para vice na chapa de Flávio, também foi atingido: a PF investiga se ele recebia pagamentos mensais de Vorcaro em troca de atuação legislativa, incluindo a ‘emenda Master’ que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Michelle como alternativa

Com a candidatura de Flávio abalada, o nome de Michelle Bolsonaro ganhou força nos bastidores do PL. Pré-candidata ao Senado por Brasília e presidente do PL-Mulher, Michelle é a preferida do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e é vista como a única figura capaz de enfrentar Lula com competitividade. O temor interno é que Jair Bolsonaro tente impor o nome de Carlos Bolsonaro — avaliado como sem chances eleitorais — para evitar que Michelle se consolide como sua principal herdeira política. Flávio, porém, encerrou as especulações publicamente e reafirmou sua candidatura.

O filme Dark Horse, que deveria ser lançado em 11 de setembro de 2026 — semanas antes das eleições — e servir como puxador de votos, transformou-se no que analistas chamam de ‘Cavalo de Troia’ da candidatura de Flávio. A conta do churrasco da vitória, celebrado semanas antes quando Flávio articulou a rejeição de Jorge Messias ao STF, começa a chegar. E as investigações da PF estão longe de terminar.

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