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Copel privatizada tem crise de "apagões" e quer aumentar a conta para os paranaenses

Entre as piores empresas de energia do Brasil no último ranking da ANEEL, Copel realiza consulta pública sobre a revisão tarifária

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Copel privatizada tem crise de "apagões" e quer aumentar a conta para os paranaenses

A Companhia Paranaense de Energia (COPEL) está fazendo uma consulta pública sobre a revisão tarifária periódica, que vai além dos reajustes anuais que já existem baseados na inflação. A justificativa da empresa é a necessidade de recursos para investir em “melhorias”, mesmo com o lucro atual e repassando bilhões para distribuir aos seus acionistas.

Segundo a proposta, o aumento médio seria de cerca de 19% para consumidores residenciais e pode chegar a até 51% para parte do setor industrial, dependendo da classe de tensão.

Após a privatização, que resultou no desligamento de parte do quadro de funcionários da empresa para a contratação de terceirizados, a Copel caiu no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sendo classificada como uma das piores concessionárias de energia do Brasil. No último levantamento divulgado, referente ao ano de 2024, a Companhia estava em 29° lugar no ranking com 31 empresas.

Os efeitos são sentidos em todo o estado do Paraná, com apagões constantes em algumas regiões que têm causado grande prejuízo para a população e para o setor produtivo, gerando prejuízo financeiro em muitos casos.

A falta de qualidade nos serviços da Companhia já foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) e teve uma CPI instaurada na Câmara Municipal de Quatro Barras, com votação unânime dos 9 vereadores da cidade para a investigação dos "apagões" que atingiram a cidade no final de 2025.

“É inaceitável que, enquanto o setor produtivo amarga prejuízos, a Copel registre lucros bilionários. A privatização, que prometia mais eficiência e investimentos, entregou apenas descaso e um serviço de péssima qualidade. A responsabilidade por essa situação recai diretamente sobre aqueles que capitanearam o projeto de venda da Copel: o presidente da Copel, Daniel Slaviero, e sobre o governador Ratinho Junior, que ignoraram todos os alertas e levaram adiante um projeto desastroso para o Paraná”, afirma o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná, Leandro Grassmann.

Na última quinta-feira (23), a Copel informou que os dividendos declarados em 10 de dezembro de 2025, no valor total de R$ 1,35 bilhão, serão pagos aos acionistas em 30 de junho de 2026. Ou seja, a empresa propõe que a conta de luz aumente para os paranaenses ao mesmo tempo em que distribui valores exorbitantes aos seus acionistas.

A proposta de revisão da tabela tarifária passa por consulta pública até 22 de maio, com audiência pública marcada para 29 de abril, em Curitiba.

Como participar da consulta pública:

A Consulta Pública nº 005/2026 está aberta até o dia 22 de maio de 2026. As manifestações podem ser feitas através do site: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/noticias/2026/aneel-aprova-consulta-publica-para-debater-revisao-tarifaria-da-copel

Após o encerramento da consulta, a diretoria da Aneel decidirá se aprova, modera ou reduz parcialmente os índices propostos pela Copel. Caso não haja alterações, o reajuste pode passar a valer a partir de 24 de junho de 2026, afetando milhões de unidades consumidoras de todo o Paraná.

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