Brasil, México e Espanha formam frente em defesa da soberania de Cuba frente à pressão dos EUA
Líderes reunidos em Barcelona alertam contra ações que violem o direito internacional e pedem que o futuro da ilha seja decidido pelos próprios cubanos, sem interferência externa.

Em um movimento diplomático coordenado, os governos do Brasil, México e Espanha divulgaram uma declaração conjunta neste sábado (18) pedindo o respeito à integridade territorial e à soberania de Cuba. O comunicado surge em um momento de escalada nas tensões, com o governo de Donald Trump intensificando o bloqueio econômico e sugerindo a possibilidade de uso de força militar na ilha.
Crise humanitária e bloqueio energético
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Claudia Sheinbaum (México) e o primeiro-ministro Pedro Sánchez (Espanha) expressaram "grande preocupação com a grave crise humanitária" que atinge a população cubana. Desde janeiro, a administração Trump endureceu as sanções, proibindo a importação de petróleo da Venezuela e ameaçando sancionar outros países que enviem combustível para Cuba.
Essas medidas resultaram em apagões generalizados e escassez de recursos básicos. Para os líderes do trio, qualquer solução para a crise deve:
- Respeitar o Direito Internacional: Evitar medidas coercitivas unilaterais que firam a Carta das Nações Unidas.
- Garantir a Autodeterminação: Assegurar que o povo cubano decida seu próprio destino em plena liberdade.
- Ampliar a Resposta Humanitária: Os três países se comprometeram a coordenar um aumento na ajuda direta para aliviar o sofrimento da população.
Ameaças de intervenção
A declaração é uma resposta direta à retórica recente da Casa Branca. Nesta semana, Trump sugeriu que os EUA poderiam voltar sua atenção militar para Cuba após o término do conflito com o Irã, chegando a dizer: "Podemos dar uma passada em Cuba depois que terminarmos com isso".
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu de forma desafiadora, afirmando que o país está pronto para enfrentar "ameaças sérias, inclusive agressão militar", embora ressalte que o objetivo é evitar o conflito.
Conflito diplomático com a Espanha
O encontro em Barcelona também serviu para expor o racha entre a Europa progressista e o governo Trump. Pedro Sánchez aproveitou o momento para criticar o populismo de direita e o negacionismo climático. Em resposta, Trump atacou Sánchez via rede social, criticando os números financeiros da Espanha e a recusa do país em permitir o uso de bases militares espanholas para as operações dos EUA no Oriente Médio.
Por que isso importa para a soberania digital e regional?
Este evento destaca a luta dos países latino-americanos para manter autonomia política e econômica em um cenário de guerra híbrida. O uso do bloqueio energético e financeiro como ferramenta de pressão política é um exemplo claro de como a dependência de infraestruturas globais (como sistemas de pagamento e cadeias de suprimento de energia) pode ser usada para minar a soberania de uma nação.
Ressurgimento da Doutrina Monroe: A América Latina sob Cerco
O ressurgimento da Doutrina Monroe em 2026 configura uma estratégia de "recolonização" que asfixia a América Latina por meio de cercos energéticos e digitais. Ao sabotar o suprimento de combustível em Cuba para paralisar infraestruturas críticas e usar o alinhamento radical da Argentina de Milei para fragmentar blocos como o Mercosul, Washington tenta restaurar sua hegemonia absoluta. O cerco se completa na dimensão tecnológica, onde o controle de dados e a pressão contra parcerias com o "Eixo do Leste" visam impedir a soberania digital e o desenvolvimento de IAs próprias na região, mantendo os países latinos sob a vigilância e dependência das Big Techs norte-americanas.
