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Brasil convoca representante dos EUA e Lula sobe o tom após expulsão de delegado da PF

Governo brasileiro exige explicações sobre o pedido de saída de Marcelo Ivo de Carvalho; Lula fala em "reciprocidade" e critica o que chamou de "ingerência e abuso de autoridade" do governo Trump.

Por Da Redação
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Brasil convoca representante dos EUA e Lula sobe o tom após expulsão de delegado da PF

BRASÍLIA – A tensão diplomática entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca atingiu um novo patamar nesta terça-feira (21 de abril). O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Kimberly Kelly, para prestar esclarecimentos sobre a ordem do governo Donald Trump para que o delegado da Polícia Federal (PF), Marcelo Ivo de Carvalho, deixe o território americano.

A reunião, que durou cerca de uma hora, ocorreu com o diretor do Departamento de América do Norte do MRE, Christiano Figueirôa. O governo brasileiro busca entender os fundamentos reais da expulsão, que foi justificada por Washington como uma reação a supostas "perseguições políticas" e tentativas de "contornar pedidos formais de extradição".

O estopim: O caso Ramagem

Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação em Miami junto ao serviço de imigração americano (ICE). Segundo o governo dos EUA, o delegado teria monitorado e facilitado a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano, ocorrida na semana passada. Ramagem, que é aliado de Trump, foi solto dois dias depois, e o governo americano acusou o oficial brasileiro de interferir indevidamente em processos internos.

Lula fala em "Reciprocidade"

Durante viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas à medida. Em declaração contundente, Lula afirmou que o Brasil não aceitará passivamente a decisão e que o princípio da reciprocidade — quando um país adota medida igual contra o outro — está na mesa.

"Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", declarou o presidente. "Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas autoridades americanas querem ter com relação ao Brasil."

Reação da Polícia Federal

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defendeu a atuação de Marcelo Ivo, ressaltando que o delegado estava em missão oficial há mais de dois anos e que suas atividades eram de pleno conhecimento das autoridades americanas. Apesar do impasse, a PF já nomeou a delegada Tatiana Alves Torres para assumir o posto de forma transitória, na tentativa de não paralisar as atividades de cooperação policial.

O episódio marca o maior atrito direto entre as administrações de Lula e Trump desde o início do novo mandato do republicano, levantando incertezas sobre o futuro da cooperação em segurança e imigração entre as duas maiores nações das Américas.

Com informações de Itamaraty, G1 e agências de notícias.

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