Bolívia: governo mobiliza 3.500 agentes e prende 57 em repressão a protestos em La Paz
O governo boliviano do presidente Rodrigo Paz enviou cerca de 3.500 soldados e policiais para dispersar manifestantes que bloqueavam estradas nos arredores de La Paz, resultando na prisão de ao menos 57 pessoas. Os protestos, liderados por mineiros, professores e sindicatos, refletem a pior crise econômica do país em décadas, marcada pelo colapso das reservas cambiais, escassez de combustível e alimentos. Manifestantes exigem a renúncia de Paz, eleito em outubro de 2025 após encerrar quase 20 anos de governo do MAS.

O governo boliviano do presidente Rodrigo Paz mobilizou cerca de 3.500 soldados e policiais neste sábado (16) para dispersar manifestantes que bloqueavam estradas nos arredores de La Paz, especialmente nas regiões de El Alto e Lipari. A operação resultou na prisão de ao menos 57 pessoas, segundo informações do Defensor do Povo da Bolívia.
A operação de segurança
O porta-voz presidencial José Luis Galvez afirmou que a intervenção das forças de segurança tinha como objetivo criar um “corredor humanitário” para garantir o abastecimento de hospitais na capital boliviana. Segundo o governo, os bloqueios de estradas já teriam causado a morte de três pessoas que não conseguiram chegar a tempo a unidades de saúde.
Entre os recursos utilizados pelas forças de ordem, chamou atenção o emprego de robôs de controle de distúrbios na Plaza Murillo, praça localizada próxima aos principais prédios do governo em La Paz, em uma demonstração incomum de tecnologia aplicada ao policiamento de manifestações.
Quem protesta e por quê
Os bloqueios e manifestações são organizados por uma ampla coalizão de movimentos sociais, incluindo mineiros, professores, grupos indígenas e sindicatos trabalhistas. Todos se opõem ao governo de centro-direita de Paz, que assumiu o poder em outubro de 2025 após encerrar quase 20 anos de domínio do MAS — o Movimento para o Socialismo, partido fundado pelo ex-presidente Evo Morales.
A principal demanda dos manifestantes é a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz. Os protestos refletem uma insatisfação profunda com as políticas econômicas adotadas pelo novo governo, que incluíram o encerramento de um subsídio de combustível vigente há duas décadas e a tentativa de privatizar empresas estatais bolivianas.
A pior crise em décadas
A Bolívia atravessa o que analistas descrevem como a pior crise econômica do país em décadas. As reservas de moeda estrangeira estão em colapso, e a população enfrenta escassez generalizada de combustível e alimentos. Longas filas nos postos de gasolina tornaram-se cenas cotidianas em diversas cidades bolivianas, agravando o descontentamento popular.
A decisão do governo Paz de eliminar o subsídio de combustível — uma política social histórica que mantinha os preços artificialmente baixos — foi recebida com forte rejeição por amplos setores da sociedade boliviana, especialmente entre os mais pobres e os trabalhadores do setor informal.
Reações internacionais
O cenário de instabilidade na Bolívia atraiu a atenção de líderes regionais. O presidente argentino Javier Milei anunciou o envio de assistência humanitária ao país vizinho e não poupou críticas aos manifestantes, classificando-os como antidemocráticos. A declaração de Milei gerou repercussão na região, dado o alinhamento ideológico entre os governos de Buenos Aires e La Paz.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a escalada da tensão na Bolívia, temendo que a crise política e econômica possa se aprofundar nas próximas semanas caso não haja diálogo entre o governo e os movimentos sociais.
