Liderança Latina no Topo: Michelle Bachelet pode ser eleita Presidente da ONU
3 dos 4 candidatos à chefia da ONU são latino-americanos. Michelle Bachelet lidera o bloco em uma disputa que pode mudar o eixo de poder global a partir de 2027.

Nova Iorque — A disputa pela liderança máxima das Nações Unidas ganhou um sotaque inconfundível. Na corrida para suceder António Guterres no cobiçado cargo de Secretário-Geral a partir de 2027, a América Latina demonstra uma força diplomática sem precedentes. Dos quatro candidatos oficiais na reta final da disputa, três são latinos.
Nesta penúltima semana de abril de 2026, os candidatos passam pelas sabatinas e diálogos interativos na sede da ONU. O forte bloco latino é representado por gigantes da diplomacia internacional: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet (cuja candidatura ganhou tração com o apoio oficial do Brasil e do México), o argentino Rafael Mariano Grossi (atual chefe da Agência de Energia Atômica da ONU) e a costa-riquenha Rebeca Grynspan (chefe da agência de Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas). O único candidato de fora da nossa região é o ex-presidente do Senegal, Macky Sall.
O que isso significa para o Sul Global?
A possibilidade real de uma liderança latina — e a chance histórica de termos a primeira mulher presidindo a organização — levanta debates urgentes sobre a descentralização do poder no cenário internacional.
Não é segredo que a máquina da ONU sofre críticas severas sobre a sua real utilidade. Na prática, a estrutura muitas vezes falha em seu propósito básico, sendo incapaz de evitar uma crise humanitária de larga escala quando o jogo político fala mais alto. O sentimento nas nações em desenvolvimento é de que superpotências como os EUA não estão preocupadas com isso de verdade, usando a organização mais como um teatro de manobras do que como um instrumento de paz.
No entanto, a presença esmagadora de latinos na disputa traz uma injeção de pragmatismo. A expectativa é que líderes forjados na realidade latino-americana possam pautar a ONU com uma visão voltada para a soberania regional, desenvolvimento econômico real e menos submissão aos interesses do Norte.
Para muitos céticos, a ONU pode até parecer não servir para muita coisa hoje em dia. Mas a eleição de uma liderança com a vivência e a resiliência da América Latina pode ser exatamente a quebra de paradigma necessária para tirar a organização da inércia. O mundo está prestes a mudar de ritmo.
