Irã descarta negociações com os EUA após captura de navio e acusa Washington de "pirataria"
Teerã afirmou que não tem planos para participar em novas rondas de diálogo em Islamabad, após a marinha norte-americana ter apreendido o cargueiro iraniano M/V Touska no Estreito de Ormuz.

A tensão entre o Irã e os Estados Unidos atingiu um novo pico de enfrentamento nesta segunda-feira. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã declarou que o governo não pretende enviar representantes para as conversações mediadas pelo Paquistão, acusando os EUA de violarem o cessar-fogo e de praticarem atos de "pirataria" em águas internacionais.
O incidente com o navio Touska
A crise agravou-se depois de os EUA terem capturado o navio de carga M/V Touska, sob a bandeira iraniana, alegando que a embarcação tentava contornar o bloqueio naval imposto por Washington no Estreito de Ormuz desde 13 de abril. O comando central dos EUA (CENTCOM) informou que, até ao momento, 27 embarcações já foram forçadas a recuar ou a regressar a portos iranianos devido a este bloqueio.
Donald Trump, presidente dos EUA, defendeu a ação e afirmou que a sua equipa de negociadores — liderada pelo vice-presidente JD Vance — já está a caminho de Islamabad. Trump declarou estar disposto a reunir-se pessoalmente com os líderes iranianos caso haja um avanço, mas reiterou a exigência "não negociável": Segundo o Americano o Irã deve abandonar totalmente qualquer ambição de possuir armas nucleares.
Recusa de diálogo e o contexto regional
O Irã, por sua vez, mantém uma postura rígida. O porta-voz iraniano, Baghaei, sublinhou que Teerã "não pode esquecer os ataques americanos" ocorridos mesmo durante períodos de negociação anteriores. Além disso, o Irão acusa Washington de instabilidade na região, apontando para as agressões contínuas e o apoio a Israel.
Embora o cessar-fogo de 10 dias no Líbano entre Israel e o Hezbollah pareça manter-se — permitindo que milhares de libaneses regressem às suas casas no sul —, o ambiente político é de profunda desconfiança. No Líbano, aliados do Hezbollah já pressionam o governo para se afastar de negociações diretas com Israel, enquanto o Irã utiliza este cenário para reforçar que não cederá sob pressão militar e economica americana.
Segurança máxima em Islamabad
Enquanto os EUA demonstram otimismo quanto à possibilidade de um acordo "ainda hoje", o Paquistão mobilizou cerca de 20 mil agentes de segurança para isolar partes da capital, Islamabad, onde as conversações deveriam ocorrer. No entanto, sem a confirmação da presença iraniana, o sucesso desta ronda diplomática permanece incerto.
