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JNE confirma duelo Fujimori x Sánchez: Peru vai ao segundo turno em meio à polarização extrema

O Júri Nacional de Eleições (JNE) do Peru confirmou oficialmente neste domingo (17/05) o segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, marcado para 7 de junho de 2026. A disputa chega após um primeiro turno fragmentado, em que mais de 70% dos eleitores não votaram em nenhum dos dois finalistas. O país, marcado por uma década de instabilidade política, se prepara para uma campanha altamente polarizada.

Por Da Redação
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JNE confirma duelo Fujimori x Sánchez: Peru vai ao segundo turno em meio à polarização extrema

O Júri Nacional de Eleições (JNE) do Peru confirmou oficialmente neste domingo (17 de maio de 2026) o segundo turno das eleições presidenciais entre Keiko Fujimori, da direita, e Roberto Sánchez, da esquerda. A votação decisiva está marcada para 7 de junho de 2026 e promete ser uma das disputas mais polarizadas da história recente do país andino.

A confirmação encerra semanas de apuração e contestações após o primeiro turno, realizado em 12 de abril de 2026, que foi marcado por irregularidades logísticas e um eleitorado profundamente fragmentado.

Os candidatos

Keiko Fujimori, de 50 anos, é filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori e lidera o partido de direita Fuerza Popular. Esta é sua quarta tentativa de chegar à presidência do Peru — ela já havia perdido os segundos turnos de 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno deste ano, obteve 17,19% dos votos, o equivalente a cerca de 2,8 milhões de eleitores, terminando em primeiro lugar.

Roberto Sánchez, de 57 anos, representa a coalizão de esquerda Juntos por el Perú e foi ex-ministro do Comércio Exterior durante o governo de Pedro Castillo. Ele terminou em segundo lugar no primeiro turno com 12,03% dos votos (aproximadamente 2,015 milhões de votos). Sánchez enfrenta, no entanto, sérios problemas judiciais: o Ministério Público peruano pediu 5 anos e 4 meses de prisão contra ele, sob a acusação de ter fornecido informações falsas às autoridades eleitorais — uma sombra que deverá pesar sobre sua campanha no segundo turno.

A diferença entre o segundo e o terceiro colocados foi mínima: Rafael López Aliaga, candidato ultraconservador, ficou com 11,9% dos votos, sendo eliminado por uma margem de apenas 21.209 votos em relação a Sánchez. O resultado acirrado gerou contestações e alimentou suspeitas entre apoiadores de López Aliaga.

Um país em crise política

O Peru chega a este segundo turno carregando o peso de uma instabilidade política crônica. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, resultado de uma série de crises institucionais marcadas por confrontos entre o Parlamento e o Executivo, impeachments, renúncias e escândalos de corrupção.

Entre 2022 e 2023, protestos populares que eclodiram após a deposição do presidente Pedro Castillo deixaram 50 manifestantes mortos, expondo a profunda fratura social entre a capital Lima e as regiões mais pobres do interior do país.

Esse cenário de desconfiança nas instituições se refletiu diretamente nas urnas: mais de 70% dos eleitores não votaram em nenhum dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno, sinalizando um eleitorado insatisfeito e sem representação clara.

O primeiro turno, realizado em abril, também foi marcado por falhas operacionais graves: atrasos na distribuição do material eleitoral em Lima obrigaram as autoridades a reabrirem locais de votação no dia seguinte. A missão de observação eleitoral da União Europeia registrou o que chamou de “falhas graves” no processo, embora tenha concluído não haver “nenhuma prova objetiva” de fraude sistemática.

O caminho para o segundo turno

Com apenas três semanas de campanha pela frente, tanto Fujimori quanto Sánchez enfrentam o desafio de conquistar um eleitorado majoritariamente avesso a ambos. Os dois candidatos precisarão construir coalizões com partidos e lideranças que ficaram fora do segundo turno para ampliar suas bases de apoio.

A campanha promete ser altamente polarizada, em um cenário que remete ao segundo turno de 2021, quando Keiko Fujimori perdeu para Pedro Castillo por uma margem estreitíssima de menos de 44 mil votos, em meio a acusações de fraude que ela nunca reconheceu.

Para Fujimori, a estratégia passará por consolidar o voto conservador e de centro-direita, incluindo parte do eleitorado de López Aliaga. Para Sánchez, o desafio é ainda maior: além de ampliar sua base à esquerda, precisará convencer eleitores moderados de que é uma alternativa viável — e lidar com as acusações judiciais que pesam sobre seu nome.

O Peru, mais uma vez, se vê diante de uma escolha difícil entre dois projetos antagônicos de país, em um contexto de descrença institucional profunda e de uma sociedade que clama por estabilidade.

Fujimori representa o conservadorismo que controlou a inflação na década de 90, mas tem acusações graves de autoritarismo e corrupção. Enquanto Sanchez Defende maior participação do Estado na economia e reformas constitucionais e cresceu na reta final da eleição apoiado por setores populares e rurais.

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