Revelando ep. 3 (Camila Pitanga): o caso Ana Clara
O episódio traz a mãe de Ana Clara e liga a defesa de Delaroli ao histórico com Adriano. No mesmo dia, a campanha de Lula leva o caso para a propaganda na TV. Delaroli continua sem condenação.
Do mais recente ao mais antigo, de 2026 a 2003, em quatro frentes: a ligação com Adriano da Nóbrega e a milícia, o caso das rachadinhas, o financiamento de Dark Horse por Daniel Vorcaro (Banco Master) e a defesa do PM acusado de matar a menina Ana Clara. Cada item traz o status jurídico e, quando existe, a versão do senador.
O episódio traz a mãe de Ana Clara e liga a defesa de Delaroli ao histórico com Adriano. No mesmo dia, a campanha de Lula leva o caso para a propaganda na TV. Delaroli continua sem condenação.
O vídeo liga a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão à rede de Vorcaro e cita Flávio, Nikolas Ferreira e Viviane Barci de Moraes. Zettel tinha sido preso em março de 2026. O vídeo chega ao topo do ranking "Hype" do YouTube, e a Meta derruba o perfil do projeto por um tempo.
No parecer enviado ao ministro André Mendonça, Paulo Gonet cita como hipóteses corrupção passiva e ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele pede que a PF levante projetos de Flávio e de Mario Frias que interessem ao Master. A própria PGR diz que nenhuma interferência foi comprovada até agora. O parecer só veio a público em setembro.
As mensagens e os documentos mostram a negociação direta entre os dois. Outras reportagens apontam participação de Eduardo Bolsonaro e agradecimento do deputado Mario Frias a Vorcaro.
Versão de Flávio: "Não pedi dinheiro, pedi patrocínio." Ele afirma que era dinheiro privado para um filme, sem nada em troca.
Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio, e Júlia Lotufo estão entre os 19 denunciados por lavar dinheiro do jogo do bicho em Copacabana, que Adriano explorava com o contraventor Bernardo Bello. Para o MP, Júlia controlava a contabilidade e os bens do grupo depois da morte dele. Foram cerca de R$ 8,5 milhões em quatro empresas de fachada, entre elas um quiosque de design de sobrancelhas que recebeu R$ 2 milhões em seis meses. O deputado federal Juninho do Pneu (União) também foi denunciado, por comprar um imóvel do grupo.
Versão de Flávio: a assessoria disse que ter trabalhado no gabinete "cerca de 10 anos atrás" não liga o senador aos atos dela.
Ao mesmo tempo, ele repetia em público o slogan "O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula".
Um juiz de Brasília manda remover uma postagem que inventava um mandado de prisão e uma "rachadinha do Master". Isso aconteceu antes dos vazamentos. Não tem relação com as mensagens reais divulgadas depois, mas mostra que circula desinformação sobre o tema.
Nos quatro dias antes da prisão de Vorcaro, Flávio liga e manda mensagens pedindo "uma luz". Em 16 de novembro, escreve: "Irmão, estou e estarei contigo sempre". Vorcaro é preso no dia 17, no aeroporto, na Operação Compliance Zero. No dia 18, o Banco Central liquida o Master.
A PF registra uma ligação entre Flávio e Vorcaro na data de uma das remessas para o fundo ligado ao filme.
Uma foto mostra Flávio num safári com o advogado Willer Tomaz, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o empresário Carlos Alberto de Sá. Willer e Weverton são investigados pela PF na fraude do INSS (Operação Sem Desconto), e a PF descreve Willer como "hub financeiro, patrimonial e logístico" de Weverton. Willer também é investigado por suspeita de lavar dinheiro com bets. Em 2021, na CPI da Covid, Flávio o chamou de "meu amigo".
Versão de Flávio: "a amizade entre as famílias é legítima", e insinuar irregularidade é "mera ilação". Willer nega envolvimento com os fatos investigados.
O valor seria pago em dez parcelas de US$ 2,5 milhões. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ex-pastor da Lagoinha e apontado pela PF como operador financeiro do grupo, organiza o fluxo. O Intercept documentou pelo menos US$ 10,6 milhões pagos em seis operações. Pela apuração da piauí, o total passa de US$ 12 milhões. Nas mensagens, Vorcaro chama o filme de "o mais importante disparado".
Flávio, a esposa e as filhas voltam dos EUA num jato que tinha Willer Tomaz como coproprietário e Daniel Vorcaro como dono de 1/3 das cotas. Willer diz que pagou o voo e que a cota de Vorcaro foi vendida sem o consentimento dele. Durante a campanha de 2026, Flávio também usou um apartamento de uma empresa de Willer que antes pertencia a Fabiano Zettel.
Versão de Flávio: ter viajado "no avião do Willer" "não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro".
Segundo o Estadão, a conversa começa em dezembro de 2024, com o empresário Thiago Miranda como intermediário. O assunto é o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Já senador e inscrito na OAB, Flávio entra na defesa de Delaroli quando o júri parecia próximo. Ele assina um recurso especial contra a decisão de pronúncia. O STJ nega o recurso, mas o júri continua sem data, e o réu responde em liberdade.
Contexto: não há impedimento legal para um senador advogar nesse caso. A crítica do episódio é política, não jurídica.
A assessora de Flávio no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro, negociou por cinco meses com Robson Calixto Fonseca, o "Peixe", assessor de Domingos Brazão. Em novembro de 2023, Flávio destinou R$ 199.999,79 ao Ifop, instituto com sede na Taquara, área de influência dos irmãos Brazão. Em fevereiro de 2024, a mesma assessora pediu a Peixe quatro convites para o Desfile das Campeãs. As conversas estão num relatório da PF enviado ao STF em maio de 2024. Domingos e Chiquinho Brazão e Peixe foram condenados pelo STF por mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes. A PF apura se a emenda fazia parte de um esquema de desvio de verbas da família Brazão.
Versão de Flávio: disse que "não é papel do parlamentar auditar a utilização de suas emendas por terceiros".
Júlia Lotufo viveu cerca de dez anos com Adriano e estava com ele na Bahia quando ele foi morto. A delação trata de homicídios cometidos por organizações criminosas no Rio. As reportagens não apontam menção a Flávio ou à família Bolsonaro no que foi divulgado.
23 fev 2021, STJ (5ª Turma), 4 a 1: anula a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio, autorizada pela Justiça do Rio em abril de 2019. Votaram pela anulação João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik. Ainda em 2021, a mesma Turma anula as decisões da primeira instância porque, como deputado estadual, Flávio tinha foro no TJ-RJ. Depois disso, o Órgão Especial do TJ-RJ anula a denúncia a pedido do próprio MP.
30 nov 2021, STF (2ª Turma), HC 201965, 3 a 1: anula 4 dos 5 relatórios do Coaf. Para a maioria, o MP-RJ pediu os dados direto ao Coaf antes de ter autorização para investigar um deputado estadual. O relator Gilmar Mendes votou pela anulação e foi acompanhado por Ricardo Lewandowski e Nunes Marques. Edson Fachin ficou vencido e votou pela legalidade dos relatórios.
Depois: em 2024, Gilmar Mendes negou recursos do MP para reabrir a apuração. Segundo a Revista Fórum, o STF registrou em 2025 que uma nova denúncia continua possível se tiver provas independentes. As anulações também afetaram a investigação da loja de chocolates. O processo segue sob sigilo e sem decisão definitiva.
Ana Clara Gomes Machado brincava na porta de casa, em Pendotiba, quando foi atingida. O cabo da PM Bruno Dias Delaroli é preso em flagrante. O MP-RJ o denuncia por homicídio com dolo eventual, e a Justiça manda o caso a júri popular.
Versão da defesa: o policial teria reagido a um ataque. A mãe da menina diz que não houve troca de tiros.
Flávio e a esposa compram a casa com R$ 2,87 milhões de entrada e R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB. A compra acontece em plena investigação. Em 2024, ele quita o financiamento antes do prazo.
Versão de Flávio: diz que usou recursos próprios, da venda de outro imóvel e da franquia. Uma ação popular contra a compra foi julgada improcedente.
As acusações são peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita, envolvendo cerca de R$ 2,7 milhões. Para o MP, a loja Kopenhagen de Flávio na Barra e transações imobiliárias de 2012 serviram para lavar o dinheiro.
Versão de Flávio: disse que a denúncia tinha "erros estranhos" e que saiu às vésperas da eleição municipal.
Queiroz é encontrado em Atibaia (SP), num imóvel de Frederick Wassef, advogado de Jair e de Flávio. Em julho de 2026, Wassef subiu ao palco no lançamento da candidatura de Flávio.
O MP-RJ aponta Adriano como líder da milícia de Rio das Pedras e do grupo de matadores de aluguel conhecido como "Escritório do Crime". Ele foge e é morto em uma operação policial na Bahia, em fevereiro de 2020, sem ter sido julgado por essas acusações.
O Estadão revela o relatório do Coaf. É o começo do caso das rachadinhas.
Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano, aparece no gabinete pelo menos desde novembro de 2010. A mãe, Raimunda Veras Magalhães, entra na Alerj em março de 2015, pela liderança do PP, e passa para o gabinete de Flávio em junho de 2016. As duas ocupavam o cargo CCDAL-5, com salário de cerca de R$ 6,5 mil, e foram exoneradas no mesmo dia, 13 de novembro de 2018, um mês antes de o caso Queiroz vir a público. A investigação do MP-RJ apontou repasses de Raimunda a Queiroz e depósitos em dinheiro vivo numa agência próxima. Segundo reportagens, foi Queiroz, amigo de Adriano, quem indicou as duas.
Versão de Flávio: diz que quem cuidava das contratações era Queiroz e que Raimunda trabalhava de fato, fazendo a ponte com famílias de PMs.
Segundo o MP-RJ, o assessor Fabrício Queiroz recolhia parte dos salários dos servidores do gabinete e recebeu mais de R$ 2 milhões nesse período. A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça da Nóbrega, ficaram empregadas no gabinete até novembro de 2018. Para a promotoria, elas eram funcionárias que repassavam salário ao esquema.
Versão de Flávio: sempre negou as irregularidades e disse que Raimunda "trabalhava direitinho", fazendo a ponte com famílias de PMs.
Flávio propõe a maior honraria do Estado do Rio para Adriano. Na época, ele estava preso por suspeita de matar o guardador de carros Leandro dos Santos Silva, em 2003. Em 2020, Jair Bolsonaro disse que foi ele quem orientou o filho a dar a medalha. Reportagens também apontam visitas de Jair e Flávio a Adriano na prisão entre 2004 e 2005.
Versão de Flávio: no Jornal Nacional (ago 2026), disse que Adriano era um "policial exemplar" na época e que não pode responder pelo que ele fez depois.
Como deputado estadual, Flávio aprova uma moção para o então tenente do Bope Adriano da Nóbrega.
| Pessoa | Relação com Adriano | Ligação com Flávio | Situação |
|---|---|---|---|
| Adriano da Nóbrega | Ex-capitão do Bope | Recebeu moção (2003) e Medalha Tiradentes (2005) por iniciativa de Flávio, que, segundo reportagens, o visitou na prisão com o pai. | Apontado como chefe do Escritório do Crime, da milícia de Rio das Pedras e de pontos de jogo do bicho. Morto na Bahia em fevereiro de 2020. |
| Raimunda Veras Magalhães | Mãe | Assessora no gabinete de Flávio de 2016 a 2018, depois de passar pela liderança do PP em 2015. | Investigada nas rachadinhas, cujas provas foram anuladas. Denunciada em março de 2026 por lavagem do dinheiro do jogo do bicho. |
| Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega | Ex-mulher | Assessora no gabinete de Flávio, pelo menos de 2010 a 2018. | Investigada nas rachadinhas. Gilmar Mendes manteve a quebra dos sigilos dela numa ação de improbidade. |
| Júlia Lotufo | Viúva e companheira por cerca de 10 anos | Nenhuma ligação direta com Flávio foi documentada. | Fez delação com o MP-RJ em 2021. Denunciada em 2026, apontada como quem controlava as finanças do grupo. |
| Pessoa | Ligação com Flávio | Situação |
|---|---|---|
| Adriano da Nóbrega | Recebeu moção e Medalha Tiradentes de Flávio. A mãe e a ex-mulher trabalharam no gabinete dele. | Apontado como chefe do Escritório do Crime e da milícia de Rio das Pedras. Morto em 2020. |
| Fabrício Queiroz | Assessor e amigo da família, apontado como operador da rachadinha. | Denunciado em 2020. As provas foram anuladas. Em 2026, faz campanha por Flávio. |
| Frederick Wassef | Advogado de Flávio e de Jair. | Queiroz foi preso num imóvel dele. Esteve no lançamento da candidatura em 2026. |
| Robson Calixto (Peixe) | Assessor de Domingos Brazão. Negociou com o gabinete de Flávio uma emenda de R$ 200 mil (2023). | Condenado pelo STF pela morte de Marielle Franco. |
| Domingos e Chiquinho Brazão | A emenda de Flávio foi para uma ONG na área de influência deles, negociada pelo assessor de Domingos. | Condenados pelo STF como mandantes da morte de Marielle Franco. A PF apura desvio de verbas da família. |
| Willer Tomaz | Advogado e amigo. Coproprietário do jato do voo de 2025 e companheiro do safári. | Investigado pela PF na fraude do INSS e por movimentações bilionárias em bets. Nega irregularidades. |
| Daniel Vorcaro | Financiou Dark Horse a pedido de Flávio. | Preso, investigado por fraude bilionária no Banco Master. |
| Fabiano Zettel | Cunhado de Vorcaro, organizou os pagamentos do filme. | Preso em março de 2026, apontado pela PF como operador financeiro. |
| Bruno Dias Delaroli | Cliente de Flávio como advogado. | Réu pela morte de Ana Clara, em liberdade e sem data de júri. |
| Mario Frias / Eduardo Bolsonaro | Aliados no projeto Dark Horse. | Citados pela PF e pela PGR no inquérito do Master. |